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Sunday, November 22, 2009

Seus olhos

Link: http://fotos.sapo.pt/aTHBZkW8abANK1iGZzeW/

Não cobiço nem disputo seus olhos

não estou sem quer à espera que me deixes ver através dos teus olhos

nem sei tampouco se quero ver o vêem e do modo como vêem os teus olhos

Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo

Se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo

Não me digas como se caminha e por onde é o caminho

Deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser

Se o caminho dos teus passos estiver iluminado

Pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias

Mesmo que tu me percas e eu te perca

Algures na caminhada certamente nos reencontraremos

Não expliques como deverei ser

Quando um dia as circunstancias quiserem que eu me encontre

No espaço e no tempo de condições que tu entendes e dominas

Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas

Não me prendas as mãos

Não faças delas instrumento dócil de inspiração que ainda não vivi

Deixa-me arriscar o barro talvez impróprio

Na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro

E não me obrigues a ler livros que ainda não adivinhei

Nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar

Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta

E com silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos

Ajuda-me serenamente a ler e escrever a minha própria vida.